Periferias onde Lula venceu são as mais afetadas por falta de ônibus em SP

A falta de ônibus em São Paulo foi mais intensa nas periferias no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro de 2026. Levantamento sobre a circulação de coletivos apontou impacto maior em áreas onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu no primeiro turno.

Os dados foram compilados pelo pesquisador Igor Novaes Lins, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), com registros da SPTrans, da API Olho Vivo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE.

A análise comparou a circulação de ônibus na capital paulista no dia da votação com os dias anteriores. O levantamento também relacionou os locais de votação mais afetados ao resultado do primeiro turno.

falta de ônibus em São Paulo

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia determinado que 100% da frota municipal operasse no domingo. A SPTrans alegou dificuldades para ampliar o serviço com pouco tempo de antecedência, enquanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) negou que faltassem ônibus na cidade.

Queda na circulação foi maior nas periferias de São Paulo

Entre 11h e 14h de 25 de outubro, circularam simultaneamente, em média, 31,4% menos ônibus do que nos dias úteis da mesma semana, segundo o levantamento de Igor Novaes Lins. O percentual foi considerado coerente com a informação de que 29% da frota estava parada.

A redução da oferta disponível chegou a 18,1% nas periferias, enquanto nos bairros mais ricos foi de 10,6%. A comparação mostra que a queda registrada na circulação variou conforme a região da capital paulista.

Nos locais de votação em que Luiz Inácio Lula da Silva venceu o primeiro turno, 2.060.902 eleitores aptos estavam distribuídos por 466 locais onde a circulação de ônibus caiu 20% ou mais em relação a sábado, 24 de outubro. O dado relaciona o resultado eleitoral anterior à redução registrada nas proximidades desses locais.

SPTrans cita dificuldades para ampliar a frota na véspera

A SPTrans informou que recebeu a notificação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) às 13h10 de sábado, 24 de outubro, com menos de 12 horas de antecedência em relação ao início da operação. Às 13h32, comunicou a determinação às concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade.



Segundo a empresa, os operadores relataram dificuldades para reorganizar escalas, jornadas e rotinas de trabalho em prazo reduzido. A programação dos profissionais já previa folgas e considerava a organização necessária para que também pudessem votar.

Para justificar o planejamento original, a SPTrans citou os dados do domingo anterior: 6,9 mil ônibus em operação, cerca de 8 milhões de lugares oferecidos e 3,4 milhões de passageiros transportados. A companhia afirmou que a oferta foi definida com base na demanda observada e que adotou a mesma estratégia no primeiro turno, sem questionamentos de órgãos eleitorais.

No terminal Santo Amaro, funcionários relataram que as empresas conseguiram colocar em circulação a frota de sábado ou uma quantidade intermediária entre sábado e domingo. De acordo com eles, o aviso em cima da hora impediu que todos os trabalhadores fossem escalados.

PT aciona o TRE-SP, e prefeitura contesta falta de ônibus

O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TRE-SP no início da tarde de 25 de outubro, alegando que havia poucos coletivos em circulação para transportar eleitores no segundo turno. Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de Lula, disse ter recebido de empresários do setor a informação de que a frota circulava com redução de cerca de 40%.

O PT pediu a extensão do horário de votação na capital, a aplicação ou ampliação de multa por hora de descumprimento da determinação sobre a frota e a prisão do secretário de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. Carvalho afirmou que a redução poderia comprometer a participação dos eleitores.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) negou que a cidade tivesse colocado uma frota reduzida nas ruas e contestou a falta de ônibus em São Paulo. À imprensa, afirmou que não havia passageiros sem transporte e enviou vídeos e capturas de tela com registros de ônibus em diferentes regiões.

Nunes também declarou que a frota municipal era maior do que a demanda. A afirmação foi apresentada em resposta a críticas sobre a demora relatada por passageiros e à manifestação de Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, que disse que pediria a prisão do prefeito devido às dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.



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