Renato Cariani: trajetória e acusações do MP-SP

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do influenciador e empresário Renato Cariani por tráfico de insumos, associação para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. O caso está ligado à Operação Hinsberg, deflagrada pela Polícia Federal (PF).

A investigação teve início em 2019, após a farmacêutica AstraZeneca contestar faturamentos de insumos químicos emitidos em seu nome. O episódio levou à apuração sobre operações da Anidrol Produtos para Laboratórios.

Cariani nasceu em julho de 1976, no distrito da Cidade Dutra, em São Paulo, e tornou-se sócio-diretor da Anidrol, sediada em Diadema. O pedido de condenação foi noticiado em 28 de outubro de 2026.

Renato Cariani

Com dezenas de milhões de seguidores e Pro Card conquistado em 2020, Cariani também construiu carreira no fisiculturismo e no mercado de suplementos. O caso reúne aspectos de sua trajetória pública, as acusações do MP-SP e a posição apresentada por sua defesa.

Trajetória de Renato Cariani no fisiculturismo e nos negócios

Filho de um operário e de uma empregada doméstica, Renato Cariani relatou ter enfrentado bullying na adolescência por causa do peso. Aos 15 anos, começou a trabalhar como auxiliar de laboratório e concluiu o ensino médio técnico em Química.

Aos 20 anos, iniciou as competições de fisiculturismo e, aos 23, conquistou o vice-campeonato paulista. Como o esporte oferecia pouco retorno financeiro naquele período, interrompeu a carreira competitiva para se dedicar à formação acadêmica e ao setor industrial.



Cariani se formou em Química, Educação Física e Administração. Aos 40 anos, voltou a treinar intensamente e a competir; em 2020, obteve o Pro Card, credencial que permite a um atleta amador competir como profissional no fisiculturismo.

Na internet, produziu conteúdos sobre nutrição e treinamento, além de projetos de transformação corporal com personalidades e celebridades. No mercado de suplementos, foi embaixador da Max Titanium, do Grupo Supley, e, em 2024, passou a integrar a equipe da Growth Supplements.

Acusações do MP-SP e defesa no caso da Operação Hinsberg

O pedido do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) diz respeito a uma investigação conduzida após a Operação Hinsberg, da Polícia Federal. Segundo a acusação, as penas pelos crimes apontados podem, somadas, chegar a 51 anos de prisão.

De acordo com os investigadores, a Anidrol teria emitido notas fiscais de ao menos 59 vendas fictícias de produtos químicos em nome de grandes empresas farmacêuticas. Entre os insumos citados estão fenacetina, acetona, éter etílico e ácido clorídrico.

A investigação sustenta que os produtos, que podem ser usados no refino e na produção de cocaína e crack, teriam sido desviados e entregues a intermediários ligados ao crime organizado. A promotoria também afirma que mensagens encontradas no celular de Cariani indicariam conhecimento sobre falhas no controle da retirada dos produtos e proximidade com agentes fiscalizadores.

Em etapas anteriores do caso, a defesa afirmou que as operações da Anidrol foram legais, com notas fiscais registradas e tributos pagos, e atribuiu possíveis irregularidades a terceiros e a fraudadores que teriam usado indevidamente o nome da empresa. Os advogados disseram que apresentariam alegações finais para pedir a absolvição de Cariani.



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