Menos santinhos e mais banners: como foi a campanha nas periferias de SP

Mudanças na Campanha Eleitoral

A campanha eleitoral de 2026 nas periferias de São Paulo trouxe transformações significativas em comparação a décadas anteriores. Moradores de diversas regiões, como a Cidade Ademar e outras comunidades, expressaram a percepção de uma presença mais sutil dos candidatos, com uma redução visível na distribuição de santinhos. Este novo formato reflete uma mudança nas estratégias de campanha, que parecem ter se adaptado a um cenário em que os métodos tradicionais de solicitação de votos perderam um pouco esse destaque.

Percepção dos Moradores

Em entrevistas com cidadãos, a frase “Nossa, nem parece que tem eleições” capturou bem o sentimento predominante, sugerindo um descompasso entre as campanhas eleitorais e o envolvimento da comunidade. A presença menos invasiva dos candidatos comparada a períodos anteriores foi um tema recorrente, evidenciando a mudança nas abordagens de campanhas, que agora parecem ter um impacto menor nas interações diárias dos moradores.

Uso de Banners ao Invés de Santinhos

Com a dificuldade de encontrar santinhos, formas alternativas de propaganda começaram a ser mais visíveis, como os banners e wind banners. Os correspondentes da Agência Mural relataram uma forte presença desses materiais em bairros da zona sul, como no Jardim São Luís, onde cartazes e banners concentraram-se em locais estratégicos, especialmente em ruas com grande passagem de pessoas. Esta substituição destaca uma adaptação às preferências locais, com candidatos buscando ser mais respeitosos ao ambiente urbano e à estética das comunidades.

campanha eleitoral nas periferias de SP

Mobilizações Locais e Carros de Som

Enquanto os santinhos diminuíam, o uso de carros de som e mobilizações locais ganhou destaque em diversos bairros. No caso de Jordanópolis, por exemplo, a campanha de determinados candidatos utilizou carros de som de forma recorrente, criando uma base sonora que poderia ser considerada mais “física” mas que, por outro lado, poderia também ser percebida como invasiva por alguns moradores. Essa estratégia, apesar de barulhenta, parece ter sido eficaz em compartilhar mensagens eleitorais com um conjunto maior de pessoas.



Campanhas Camufladas em Cotia

Em Cotia, uma abordagem incomum foi observada: materiais impressos que pediam votos para Angela Maluf (PSD) foram distribuídos a crianças, gerando controvérsia entre os pais. Esses materiais camuflados, que se pareciam com folhetos evangélicos, foram uma forma de atingir o público de uma maneira menos direta, fazendo com que as campanhas fluíssem por diferentes canais e experiências familiares.”

Campanhas Intensificadas na Zona Sul

Na zona sul de São Paulo, houve uma notável intensificação da campanha eleitoral, como foi visto no Jardim São Luís e Cidade Dutra. Os correspondentes relataram um aumento na quantidade de materiais de campanha entregues diretamente nas casas, fato que pode ser interpretado como um reflexo do crescente números de candidatos tentando penetrar nesse mercado eleitoral antes considerado marginal. As opções de envio de cartas que apresentavam os feitos dos candidatos e estavam rotuladas como “urgente” também demonstram a busca por maior engajamento direto com o eleitorado.

Impacto das Redes Sociais

A ascensão da mídia digital não pode ser ignorada, pois muitos candidatos estão agora focando suas estratégias também no ambiente online. As redes sociais surgem como um ponto crucial na campanha, com candidatos utilizando esses canais para alcançar um público mais jovem. Isso, no entanto, traz desafios, já que o excesso de informação e a alta competitividade no espaço digital podem diluir a visibilidade das mensagens individuais.

Exceções: Campanhas Ativas

Embora a tendência geral tenha sido de campanhas mais discretas, há exceções notáveis. Em Ferraz de Vasconcelos, a candidatura de Rodrigo Gambale (Podemos) exemplifica o sucesso que pode ser alcançado com uma abordagem mais tradicional. Bandeiras e santinhos estavam amplamente visíveis, criando uma atmosfera diferente que contrasta com o que foi observado em outras partes da Grande São Paulo.

Comparativo com Eleições Anteriores

Comparando com as eleições anteriores, é evidente que houve uma mudança significativa na dinâmica de como as campanhas se desdobram nas periferias. Enquanto no passado as interações diretas eram o foco, agora há uma clara tendência para métodos que envolvem menos papel e menos presença física, focando mais em ferramentas digitais e banners.

Expectativas para o Dia da Votação

À medida que se aproxima o dia da votação, a expectativa é que a relação entre os candidatos e os eleitores continue a se adaptar às novas realidades do espaço urbano. Os desafios permanecem, e tanto a preparação dos espaços quanto a logística das campanhas serão testadas quando os cidadãos se dirigirem às urnas.



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